#Wishlist aniversário!

Oieeeee! Tá certo, ando numa ressaca literária e por isso não tenho lido NADA! Mas para não deixar isso aqui parado – e aproveitando que meu aniversário tá batendo na porta (é dia 28/3 pra quem não lembra) para trazer sugestões de presentes que vocês podem me dar!

(sou pidona, eu sei rsrsrsrs)

1.Maquiagens. Adooooroooo! Aceito de tudo, principalmente batons.

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“Roxuva” da QDB?. #ficadica

 

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Batom “Hermione”, da Tracta. #ficadica2

2. Roupas. Se vocês acharem algo tamanho “lona”, eu aceito!

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Camisetas divertidas!😉

3. Bijoux. Brincos. Sempre.

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Na dúvida aposte nas pérolas!

 

4. LIVROS! Lógico! Só olhar na minha lista do Skoob!

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Ultimamente tô querendo esse. Onde  tem?

 

5.HQs. Agarrei um amor por uma certa coleção…

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Só amor!

 

6. Melissas.

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nº 37

 

7. O que você desejar. Pode ser um chocolate, um cartão, uma bala ou um abraço. Se for de coração já é o suficiente!

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Desafio Livrada 2016!

Olá gente! Ano novo, vida nova (e clichê antigo)! Este ano resolvi dar um rumo na minha vida e desencalhar uns livros que estão aqui na estante há anos! Para isso decidi participar do Desafio Livrada! Um desafio literário feito pelo nosso amigo Yuri, do blog Livrada!, que consiste em quinze categorias e cabe a nós decidir o que melhor se encaixa em cada uma. 

A única ressalva que faço nesse desafio é que escolhi somente livros que já tenho em casa. Portanto, pode ser que alguma categoria fique em branco – e pode ser que eu dê uma leve roubadinha em alguma outra.

 

 

1- Um prêmio Nobel
O escolhido foi Pantaleão e as visitadoras, do Mario Vargas Llosa (Nobel em 2010). O livro “conta a história de Pantaleão Pantoja, um capitão recém-promovido do exército, que recebe uma missão inesperada – criar um serviço de prostitutas para as Forças Armadas do Peru isoladas na selva amazônica, dentro do mais absoluto sigilo militar.” fonte

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2- Um livro russo
O selecionado da vez foi A morte de Ivan Ilitch, de Lev Tolstói. Sem mais.

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3- Um cânone da literatura ocidental
Então, o que pode ser considerado um cânone? O que é um cânone? Eu entendo como algo de suma importância e que influenciou várias outras obras. Pensando por esse aspecto, eu separei aqui Admirável mundo novo, de Aldous Huxley. Um clássico, certo? Certo. 

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4- Uma novela
O livro do Tolstói é uma novela, então acho que eu poderia ter roubado e usado um livro para duas categorias. Mas não farei isso (já roubei demais por aqui, vocês verão), então peguei o livro Quatro Estações, do Stephen King. O livro conta com quatro novelas – entre elas a que deu origem ao ótimo filme Um sonho de liberdade. Escolherei uma das novelas e voilá (porque sou realista e sei que não vou ler as quatro de uma vez)!

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5- Um livro que você não sabe por que tem
Aqui começa a safadeza. Essa é uma categoria que ficará em branco, pois eu sei o motivo de ter cada um dos meus livros – embora alguns estejam meio esquecidos. Os que eu não via nenhuma razão para ter já me desfiz em trocas ou doações.

6- Um autor do seu estado
E essa foi a brecha que eu precisava para ler o livro do meu amado Marcelo Rubens Paiva! Sou do estado de São Paulo e o Marcelo é paulista como yo! O livro que tenho dele e ainda não li é As verdades que ela não diz. Vamos aguardar…

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7- Um livro publicado por uma editora independente
Cira e o Velho é um livro do escritor Walter Tierno – e comprei direto com o autor. Não sei se a Giz Editorial é uma editora independente, mas ela ainda é bem menor do que as que estamos acostumados. Vale pela curiosidade e pela oportunidade de conhecer obras novas.

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8- Uma ficção histórica
Olhei bastante na minha estante e o que se aproximou aqui foi O historiador, da Elizabeth Kostova. O livro acompanha as pesquisas de pessoas que tentam remontar a lenda de Vlad, o empalador. É uma ficção histórica? Não, necessariamente. Mas é o que temos para o momento. 

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9- Um livro maluco
Então, a maluquice é muito relativa, não? Pode ser um livro maluco no sentido positivo da palavra? Se sim, eu peguei O massacre da serra elétrica, edição lindona da DarkSide Books (DarkSide, me adota!) por um simples motivo: um livro cheio de imagens e que reconta como foi a realização dos filmes sobre o caso só pode ser muito doido!

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10- Um livro que todo mundo já leu menos você
Parece que todo mundo já leu o Precisamos falar sobre o Kevin, da Lionel Shriver, menos eu. Só pra constar: essa capa é muito feia.

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11- Um autor elogiado por um escritor de quem você gosta
Esse ano O rei de amarelo andou meio na moda. Como sou dessas, aproveitei a promoção e adquiri  o meu exemplar (na verdade presento do mor). Qual não foi a minha surpresa quando descobri que o mestre H.P. Lovecraft teve influência da obra de Robert W. Chambers! Então tá…

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12- Um livro bobo
Me interessei pelo livro Alcatraz contra os bibliotecários do mal só por causa do título. Pronto! 

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13- Um romance de formação
Roubada nº3652. Para esta seção escolhi Maldita, do Chuck Palahniuk. O livro é o segundo da série que conta a jornada de Madson, uma menina que morreu e foi para o inferno – e lá ela começa a contar sua história e rever sua vida – e, a partir de então, tentar a redenção. Conta? Acho que sim.

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14- Um livro esgotado
Não tenho nada para incluir aqui #todoschora. Próximo.

15- As aventuras do bom soldado Svejk
Como disse anteriormente, só selecionei livros que já tenho em casa. Como não tenho esse livro… vai ficar para a próxima! Em vídeo o Yuri disse que poderia ser algum dos livros do Zambra, bom eu já li o Bonsai (comentários aqui), então vou dar essa categoria como ok (roubada master)!

Bom, essa é minha pequena lista! Meio furada, mas feita com carinho… Convido todos para participar e tentar desencalhar algumas leituras da estante – para podermos comprar livros novos sem peso na consciência! É isso.. me desejem sorte!

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Max e os felinos – Moacyr Scliar

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Tcharam! Olha quem voltou antes do fim do ano!! E para fechar 2015 com chave de ouro trouxe um livro que é só babado, confusão e gritaria: Max e os felinos, do saudoso Moacyr Scliar!

Max e os felinos foi escrito em 1981 e conta a história do menino Max, alemão (não judeu) que se vê em uma situação de perigo quando a ameaça nazista se instaura em sua cidade. Ele, então, foge para o Brasil em um navio que, além da tripulação, também levava vários animais. No meio do caminho o navio naufraga (de propósito) e Max se vê isolado em um escaler com um jaguar. Ao chegar o Brasil, o menino consegue reconstruir sua vida, passando por momentos de emoção, tensão e todos os tipos de sentimento que alguém deve lidar em sua existência.

Bom, como todos devem saber, o livro está envolvido em uma grande polêmica com o Life of Pi, do canadense Yann Martel. A polêmica gira em torno de um possível plágio feito do livro brasileiro – fato que rodou por vários jornais brasileiros e estrangeiros e rendeu até uma declaração do próprio Moacyr sobre o ocorrido. Como de costume, muita gente estava disposta a ver o circo pegar fogo, mas após Scliar dar o assunto por encerrado, os jornalistas e babadeiros de plantão tiveram que baixar a bola…

Feitas essas considerações sobre o caso, vamos ao que interessa: o livro trata-se de uma noveleta de 80 páginas e narra a jornada no nosso herói através dos percalços que a vida lhe impôs. A narrativa é fluida e descomplicada; o autor não enrola e nos conta tudo de forma rápida, mas recheada de simbolismos. O final nos deixa uma dúvida e nos faz pensar: teria Max criado figuras em sua cabeça para tentar digerir e processar todos os sentimentos e acontecimentos que se passaram em sua vida? Quem sabe…

Como curiosidade: a parte que fala sobre Max e o jaguar no escaler (ponto considerado “inspiração” para As aventuras de Pi) é breve e não passa de poucas páginas. 

O livro é curto, mas muito pode se tirar dele, basta ter visão e entendimento para tal. Minha edição da L&PM possui dois textos introdutórios: um do próprio Moacyr Scliar falando sobre as controvérsias de Max e os felinos e Life of Pi, e outro de Zilá Bernd colocando em paralelo as duas narrativas.

Por fim, deixo-vos com algumas palavras de Moacyr Scliar, que nos faz refletir sobre quais os reais objetivos da Literatura – e que picuinhas e assuntos menores devem ser deixados de lado para que possamos ler as entrelinhas e tirar de cada texto o máximo que ele pode nos oferecer.

A literatura não é fonte de contentamento. Nem é coisa que possa ser feita pelo membro de um bloco. Ela é, essencialmente, um vício solitário. Isto não quer dizer que tenha de ser praticada numa isolada torre de marfim. A grande literatura inevitavelmente reflete o contexto social da época. Mas o faz como um sismógrafo, cuja agulha desloca-se como resposta a movimentos profundos. Espero que isso tenha acontecido, ao menos em parte, ao menos em pequena parte, com uma história chamada “Max e os felinos”. Todo o resto, francamente, não tem muita importância. (p.22)

 

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SCLIAR, Moacyr. Max e os felinos. Porto Alegre: L&PM, 2014.

Clube da Luta – Chuck Palahniuk

  1. A primeira regra do clube da luta é que você não fala sobre o clube da luta.
  2. A segunda regra do clube da luta é que você não fala sobre o clube da luta.
  3. Quando alguém  diz “pare” ou fica desacordado, mesmo que esteja fingindo, a luta acaba.
  4. Apenas duas pessoas por luta.
  5. Uma luta por vez.
  6. Sem camisa e sem sapatos.
  7. As lutas duram o quanto tiverem que durar.

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Olha quem está aqui outra vez!!! A novidade de hoje é o polêmico, sqn, livro do nosso amigo de fé e irmão camarada Chuck Palahniuk: Clube da Luta! Sim minha gente, existiu um livro antes do filme – e é sobre esta obra da literatura que iremos conversar…

Bom, a história do livro nos é contata por um narrador sem nome e que vai levando uma vida bem mediana – ele possui um emprego fixo, um apartamento, gasta seu dinheiro com coisas supérfluas e ainda sofre de insônia. E é justamente por causa dessa insônia que ele vai parar em grupos de apoio para pessoas doentes – desde os grupos de câncer de próstata até os de portadores de parasitas mentais -, e é por meios desses encontros que ele consegue encontrar, de certa forma, algum conforto e dormir em paz. Tudo vai bem até que ele encontra Marla Singer, outra impostora que, como ele, também participa de grupos de apoio. E é nesse meio tempo, entre viagens e idas a grupos de apoio que o narrador conhece Tyler Durden (um homem forte, destemido e determinado) e juntos eles acabam fundando o Clube da Luta, um pano de fundo para vários outros acontecimentos…

Vamos começar do início: o livro é todo escrito através dos pensamentos do nosso narrador. Ele faz cortes, pausas, interrompe e retoma assuntos, faz referências a coisas já ditas muito antes, quase um fluxo de consciência que pode confundir algumas pessoas, mas, mesmo sendo as vezes uma narrativa aleatória, há uma linha que sempre se segue e tudo está interligado – fazendo total sentido. O encontro com Tyler acrescenta na trajetória do narrador mais emoção; quando ambos decidem criar o Clube da Luta não esperavam a adesão de tantas pessoas, mas foi algo que tomou enormes proporções e que, a partir de um ponto, ficou sem controle.

Parando um pouco para filosofar, e seguindo as dicas que o autor deixa no decorrer do livro, o clube da luta nada mais é do que a busca de homens por autoafirmação e uma oportunidade de demonstração da masculinidade através da força (Gente, vamos melhorar! O ser humano já desceu das árvores há muito tempo pra vocês ficarem nessa de bater uns nos outros!). Mas o enredo vai muito além disso: diferentemente do filme onde o foco está no clube, o livro nos mostra mais sobre a personalidade do narrador, ele se aprofunda na história de vida de Marla, faz reflexões sobre consumismo, solidão e a forma como as pessoas trabalham em empregos que não gostam para ganhar dinheiro, comprar coisas, se endividarem e, assim, continuarem nesse ciclo vicioso de tédio e frustração. O clube da luta em si é apenas um pano de fundo, uma desculpa que existe para se expor a forma de vida medíocre que algumas pessoas levam –  e que elas seriam capaz de qualquer coisa para não terminar sendo apenas mais um.

Para aqueles que não viram o filme e que não sabem o “pulo-do-gato” que existe no enredo, já digo que ao longo da narrativa o autor, na voz no personagem, vai deixando várias dicas do que está acontecendo… Fiquem espertos!

Também para que não haja decepção, já digo que o filme tem várias diferenças do livro (o final, por exemplo), mesmo assim ambos são ótimos! O filme começou causando estranheza nas pessoas, mas foi catapultado da seção de filmes pipoca e hoje é um clássico dos filmes cult (exagermo meu?).

No mais, a escrita do Chuck é super fácil e fluida. O livro possui 270 páginas em papel pólen e a edição da Leya está muito boa. A leitura é rápida, mas exige certa atenção do leitor para não se perder nos devaneios da nossa personagem – e nos sarcasmos e ironias do autor. Em toda a narrativa há várias passagens e frases que te fazem pensar (além de algumas cutucadas que o autor dá, indiretamente, em alguns best-sellers que existem por aí).

Recomendo para todos essa leitura fácil, divertida e surpreendente!

-Eu vejo os homens mais fortes e inteligentes que já viveram – […] – e esses homens estão enchendo tanques de carros e servindo mesas.
[…] Há uma categoria de homens e mulheres jovens e fortes que querem dar a própria vida por algo. A propaganda faz essas pessoas irem atrás de carros e roupas de que elas não precisam. Gerações têm trabalhado em empregos que odeiam para poder comprar coisas de que realmente não precisam. – Não temos uma grande guerra em nossa geração ou uma grande depressão, mas na verdade temos, sim, é uma grande guerra de espírito. Temos uma grande revolução contra a cultura. A grande depressão é a nossa vida. Temos uma depressão espiritual. (p.186)

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PALAHNIUK, Chuck. Clube da luta. São Paulo: Leya, 2012.

Poema em linha reta – Fernando Pessoa

Estava andando por aí e me deparei com este poema do Fernando Pessoa. Apesar de ter mais de meio século nunca foi tão atual – em se tratando do contexto em que vivemos, com redes sociais e todas as formas de exposição que existem hoje em dia… As vezes também me pergunto: “Onde é que há gente no mundo?”

 

POEMA EM LINHA RETA

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

PESSOA, F. Poesias de Álvaro de Campos. Lisboa: Ática. 1944 (imp. 1993). p. 312.