OS CANIBAIS – ÁLVARO DO CARVALHAL

Opa! Demorei, mas cheguei! Estava meio sem idéia do que postar, então fui xeretar nos meus cadernos antigos e achei um conto (ou novela) bem supimpa para comentar. O conto, ou novela, aliás quando uma história é classificada como Novela? Eu não sei diferenciar… acho que é quando o texto é muito extenso para ser um conto e curto demais para ser um romance… é isso? Enfim, a obra de hoje chama-se Os Canibais, um texto de 1866 do autor português Álvaro do Carvalhal. 

Álvaro quem? Pois é, por picuinhas históricas esse autor foi excluído do rol dos grandes autores oitocentistas, por isso muita gente nunca ouviu falar dele. O conto/novela Os Canibais possui características do romantismo, embora o autor, muitas vezes, tome partido dos realistas satirizando os românticos. Bom, o enredo é o seguinte:

(ATENÇÃO: se você não quer saber o começo, o meio e o fim da história vá fazer um xixi, senão, pode ficar à vontade)

Os canibais - edição Portuguesa

Toda a história baseia-se em um triângulo amoroso da alta burguesia: uma moça chamada Margarida e seu pretendente, Dom João, estão em um baile quando surge uma figura imponente e que chama a atenção de todos; trata-se do Visconde de Aveleda, ele se destaca dos outros homens e aguça a curiosidade de todos pelo mistério que seu semblante guarda e por seus “passos de pedra”. Margarida logo cai de amores pelo visconde, este corresponde aos amores da moça e eles marcam casamento. Dom João, mordido de ciúmes, começa a arquitetar um plano para matar o visconde.

O casamento acontece, tudo ocorre nos conformes até que na noite de núpcias, enquanto D. João se preparava para invadir o quarto dos noivos, o mistério se revela: Todo o corpo do visconde de Aveleda é falso. Pernas, braços, todas as partes são próteses. Margarida aterrorizada se lança da sacada. Nesse meio tempo, por um motivo que eu não lembro,  o corpo do visconde vai parar na lareira e começa a queimar. Dom João entra no quarto e vê o visconde queimar, depois vê Margarida morta e se mata.  A família da moça vai ao quarto, não encontra nem a noiva, nem o noivo, nem o D. João, apenas algo ao fogo, como churrasco, que parecia ser uma carne de porco, e como eles estavam com fome…

Pois é! No fim eles acabam se tornando os únicos herdeiros do visconde (embora tenham ciência de que o jantar foi o próprio visconde, eles pouco se importam com isso, apenas se preocupam em disputar o dinheiro que lhes foi dado).

Trágico, não?! Trágico e melodramático. A narrativa possui todas as nuances e características dos clássicos românticos, mas esses pontos se contrapõe ao final surreal. O narrador em primeira pessoa a todo momento é irônico; ele mente, desmente e se contradiz: em alguns momentos diz que o que narra é uma história verídica em outros diz que é uma fábula. 

Os Canibais foi totalmente inspirado no conto O homem que fora consumido (184_) de Edgar Allan Poe. Álvaro do Carvalhal utiliza nesse conto/novela conceitos (ainda que arcaicos) de tecnologia e Ciência em benefício do ser humano – como os homens biônicos que têm partes de seu corpo substituídas por máquinas – por isso é mais reconhecido não pela quantidade e qualidade de suas obras, mas por ser um representante da ficção portuguesa do século XIX. 

CARVALHAL, Álvaro do. Os Canibais. Porto: Colares editora, 2007. 72 p.

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PS: fiquei intrigada com a diferença entre conto e novela e, após escrever esse post, fui procurar na internet. Eis que nossa amiga Wikipédia me deu a resposta: “Uma novela em português é uma narração em prosa de menor extensão do que o romance. Em comparação ao romance, pode-se dizer que a novela apresenta uma maior economia de recursos narrativos; em comparação ao conto, um maior desenvolvimento de enredo e personagens. A novela seria, então uma forma intermediária entre o conto e o romance, caracterizada, em geral, por uma narrativa de extensão média na qual toda a ação acompanha a trajetória de um único personagem (o romance, em geral, apresenta diversas tramas e linhas narrativas)”. (fonte)

E não é que sem querer querendo eu estava certa?

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