O PRISIONEIRO DO CÉU – CARLOS RUIZ ZAFÓN

Sempre soube que um dia voltaria a estas ruas para contar a história do homem que perdeu a alma e o nome entre as sombras de uma Barcelona submersa no sono medroso de um tempo de cinzas e silêncio. São páginas escritas com fogo sob a proteção da cidade dos malditos, palavras gravadas na memória daquele que retornou de entre os mortos com uma promessa cravada no coração e pagando o preço de uma maldição. A cortina se abre, o público silencia e, antes de a sombra que espreita seu destino descer sobre o palco, um elenco de espíritos brancos entra em cena com o texto de uma comédia nos lábios e aquela bendita inocência de quem, pensando que o terceiro ato é o último, começa a narrar um conto de natal sem saber que, ao virar a última página, a tinta de sua alma o arrastará, lenta e inexoravelmente, ao coração das trevas.

 

Julián Carax, O prisioneiro do céu.

(Editions de la Lumière, 1992)

Demorei, mas voltei! E trouxe comigo o mais novo livro do meu queridinho Carlos Ruiz Zafón: O prisioneiro do céuComo disse, o romance está saindo do forno e nele temos nossas personagens queridas de volta, revivendo histórias e criando muitas outras.

O encontro de personagens dos livros anteriores traz uma reviravolta na história: tudo aquilo que imaginava-mos como certo torna-se questionável e nos faz duvidar de alguns fatos ocorridos. O enredo prossegue contando o passado de Fírmin e mistura-se com o presente vivido por Daniel e Bea, o dia a dia na livraria além de adicionar novas informações que deixam no ar um Q de quero mais!

O livro continua a trama dos dois romances anteriores (A sombra do vento e O jogo do anjo), embora na orelha estaja escrito que as histórias podem ser lidas em qualquer ordem, acho difícil conseguir compreender algumas passagens sem ter tido o conhecimento prévio das narrativas passadas.

Durante toda a história são lançadas novas “iscas” que não têm um arremate final: elas deixam pontos em aberto para uma continuação, que com certeza existirá.  

O livro possui 246 páginas e é dividido em seis partes (incluindo o epilogo), no qual cada parte tem vários capítulos. Estes são curtos, o que torna a leitura rápida. A linguagem é simples, porém desta vez não temos aquela cascata de frases filosóficas – que eram comuns nos outros livros. 

O que mais posso dizer? Adorei o livro, ele te prende da primeira a última página. Estou aguardando ansiosa a continuação!

 

RUIZ ZAFÓN, Carlos. O prisioneiro do céu. Rio de Janeiro: Suma de letras, 2012.

5 latas

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s