A Arte de produzir efeito sem causa – Lourenço Mutarelli

Para quem está perdido, qualquer desvio é caminho. (p.80)

Olá gente bonita! Para animar esses dias tediosos de agosto, o post de hoje traz uma peripécia do porra-loca Lourenço Mutarelli: A arte de produzir efeito sem causa é um livro supimpado, que explora os limites entre a sanidade e a loucura de alguém que levou uma rasteira da vida e agora não consegue encontrar propósitos que o façam levantar. Vamos a sinopse:

“Depois de abandonar o emprego e o casamento por motivos que guardam uma infeliz coincidência, Júnior pede abrigo ao pai. Sem dinheiro nem perspectivas, divide os dias entre o velho sofá da sala, o bar onde bebe com desocupados e as conversas com a jovem inquilina da casa, Bruna, que o pai espia por um furo no armário. Em um cenário típico da baixa classe média, Júnior se entrega a reminiscências e a um cotidiano feito de objetivos pequenos e imediatos (…). A pasmaceira é interrompida quando pacotes misteriosos começam a chegar pelo correio. Aos poucos, a realidade ganha contornos distorcidos e Júnior vai sendo arrastado para um mergulho na própria consciência – sempre pronta a revelar seus limites e abismos.

Nesse contexto, aos poucos, Júnior passa a ter um comportamento estranho (além de ter algumas crises de epilepsia e desmaios) fazendo com que seu pai (chamado de Sênior) e Bruna passem a ter receio, e um pouco de medo, de suas atitudes. No começo a estranheza foi delegada à bebida, depois desconfiaram de uma doença e, por fim, começaram a achar que algo (ou alguém?) estava controlando o corpo no rapaz.

Todo o enredo é composto por muitas falas; o discurso direto livre traz grande agilidade à narrativa, aproxima ainda mais o leitor da história contada e faz com que as 208 páginas sejam lidas com facilidade. O narrador é heterodiegético com focalização omnisciente, sendo assim ele entra nos pensamentos e vasculha os sentimentos de nosso protagonista para expor todos os seus medos, suas dúvidas e, no final, seus desatinos. 

Essa edição da Companhia das Letras é diferentona: o formato do livro é quase (e friso o quase) quadrado, os cantos das páginas são arredondados e a capa reproduz os momentos de obsessão de Júnior. Para quem quiser uma literatura nacional envolvente e contemporânea os livros do Mutarelli são uma ótima opção (ele também é autor de O cheiro do ralo e Natimorto).

 

MUTARELLI, Lourenço. A arte de produzir efeito sem causa. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

4 latas

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