Manoel de Barros

Poeminha supimpa para vocês hoje!

Por viver muitos anos dentro do mato
moda ave
O menino pegou um olhar de pássaro –
Contraiu visão fontana.
Por forma que ele enxergava as coisas
por igual
como os pássaros enxergam.
As coisas todas inominadas.
Água não era ainda a palavra água.
Pedra não era ainda a palavra pedra.
E tal.
As palavras eram livres de gramáticas e
podiam ficar em qualquer posição.
Por forma que o menino podia inaugurar.
Podia dar às pedras costumes de flor.
Podia dar ao canto formato de sol.
E, se quisesse caber em uma abelha, era
só abrir a palavra abelha e entrar dentro
dela.
Como se fosse infância da língua.

Manoel de Barros, em “Poemas Rupestres

4 pensamentos sobre “Manoel de Barros

  1. Oi, Amanda. Estava atualizando meu LinkedIn e vi lá seu convite em aberto (desde trálálá… uso pouco o LinkedIn). Aceitei, caí na sua página e de lá, no seu blog. E em meio às “5 latinhas” e outros conteúdos legais, acabei curtindo de montão esse seu trabalho! Parabéns, viu? Inté!
    P.S.: até fiquei com vontade de voltar a escrever!!! #ahhhsaudadedosmeuspoeminhas…

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