Uma árvore, uma rocha, uma nuvem – Carson McCullers

**** Contém Spoiler ****

O post de hoje é bem curtinho, sobre um conto da autora Carson McCullers, Uma árvore, uma rocha, uma nuvem é o último conto que integra o livro A balada do café triste.

balada

A tradução para o Português do Brasil foi feita pelo Caio Fernando Abreu.

Bom, pra começar, o conto é curto e parece meio confuso, mas depois de lido faz a gente pensar sobre várias coisas… Trata-se da história de um homem que está sentado em um café quando um menino entra. O homem o chama para uma conversa (ou um desabafo) sobre sua vida; conta que amou uma mulher, mas que ela foi embora sem deixar rastros. A partir daí vemos esse homem mais velho falar sobre sua desilusão amorosa para um garotinho. Por que ele estaria fazendo isso?

Confesso que várias alternativas passaram pela minha cabeça, inclusive que o tal garoto poderia ser filho daquele homem, mas não. O senhor conta ao garoto as marcas que o amor (e a falta dele) deixaram em sua vida e em sua alma. Porém, o mais interessante é que, durante esse processo em busca de sua amada, o homem aprendeu algo mais importante: é preciso saber amar todas as coisas, sejam elas simples ou não.

A teoria que a autora desenvolve para explicar como devemos estar abertos para novas descobertas e emoções me fez pensar bastante: enquanto nos preocupamos com nossas perdas deixamos de reparar nas coisas simples, precisamos permitir que mesmo pessoas desconhecidas façam parte de nossa vida, ser abertos a novos horizontes e experiências… é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã… (pelo menos foi o que entendi, acho que cada um pode dar sua interpretação). Achei essa uma breve, mas linda, história sobre as desventuras do amor.

– […] Meditei sobre o amor, e esclareci tudo. Vi claramente o que está errado. Os homens apaixonam-se pela primeira vez. E por quem se apaixonam?
[…] Por uma mulher – disse o velho. – Sem ciência, sem nada que os sustente, entregam-se à experiência mais perigosa e sagrada desta terra de deus. […] – Começam pelo lado errado do amor. Começam pelo mais alto. É para admirar a tão grande miséria resultante? Sabes como os homens deveriam amar?
[…]
-Uma árvore. Uma rocha. Uma nuvem.
[…]
– […]De há seis anos para cá que tenho andado sozinho a construir a minha ciência. E agora, meu filho, sou um mestre. Sou capaz de amar seja o que for. Nem sequer já preciso pensar. Vejo uma rua cheia de gente, e uma claridade bela me penetra. Observo um pássaro no céu. Ou cruzo-me na estrada com alguém. Tudo, meu filho. Seja quem for. Desconhecidos e amados! Vês claramente o que pode significar uma ciência como a minha? 

O conto que li estava em português de Portugal, achei que isso deu um toque a mais para a densidade da narrativa. Quem se interessar e quiser ler, eu tenho o arquivo no computador e a versão em papel. Devo comentar que o título do livro, A balada do café triste, me causou estranheza no começo, agora eu acho lindo e super adequado…

McCULLERS, Carson. Uma árvore, uma rocha, uma nuvem. In:____. A balada do café triste. Rio de Janeiro: José Olympio, 2010.

4 latas

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