A cor que caiu do céu – H. P. Lovecraft

Não era fruto do mundo dos sóis e dos sóis que fulguram nos telescópios e nas chapas fotográficas dos nossos observatórios. Não era um sopro dos céus cujos movimentos e dimensões os nossos astrônomos medem ou julgam demasiado vastos para medir. Era apenas uma cor que caiu do espaço – o pavoroso mensageiro de reinos informes que transcendem a Natureza tal como a conhecemos…  (p. 63-64)

HPLOVECRAFTÉ isso aí… dessa vez consegui ser um tiquinho mais ágil, e hoje trago um clássico da Literatura de Horror: A cor que caiu do céu é um texto de 1927 do americano Howard Phillips Lovecraft, ou apenas H. P. Lovecraft.

O texto acompanha o narrador (sem nome), funcionário que é enviado à cidade de Arkham com o objetivo de estudar o local mais propício para a construção de uma represa. Em meio a este estudo, ele descobre o “descampado maldito”, local de enorme mistério e cheio de histórias. O lugar era formado por acres de desolação cinzenta, parecendo uma grande queimada ou uma mancha feita por ácido. Cheio de curiosidade, o narrador começa a investigar e acaba chegando até Ammi Pierce, ancião que vivia na região antes da maldição se abater sobre o local. Ammi conta que, em meados de 1880, o local era uma fazenda produtiva, habitada e cheia de vida, até que um dia um meteorito caiu no local, ao lado de um poço. Algumas pessoas foram examiná-lo, mas o que acharam foi apenas uma rocha com núcleo de uma cor estranha… A partir de então o horror se espalhou pela propriedade: tudo começou a apresentar uma cor cinzenta, plantas cresceram de forma desordenada, animais apresentavam comportamentos estranho e as pessoas enlouqueciam – e acabavam morrendo ou sumindo de forma misteriosa.

Nesse conto temos o mistério em todos os pontos: o que será isso que veio do espaço? O que acontece com as pessoas e animais? Há uma explicação lógica para tudo? Lovecraft não economiza em detalhes para tentar definir o que seria essa “cor” vinda de outro mundo, aliás, desde o começo ele deixa claro que sim, é algo de outro mundo, mas mostra que o “extraterrestre” não são, necessariamente, homenzinhos verdes, mas pode se manifestar de várias formas, inclusive de cores e texturas não definidas no nosso mundo.

A narrativa é envolvente, a forma como é mostrada a morte de animais e pessoas não deve nada aos filmes de Hollywood. O horror não é explícito, mas está nas entrelinhas e em cada palavra que ele utiliza para contar esse estranho fenômeno que atingiu a fazenda e a forma como seus moradores ignoraram todas as evidências e permaneceram no local.

H. P. Lovecraft é um mestre do conto de horror e ficção científica. Em vida, seus escritos foram publicados somente em revistas e apenas após sua morte, ocasionada por um câncer em 1937, que seus textos viraram livros. A edição que possuo é a editora Hedra, no caso o título foi traduzido como A cor que caiu do espaço, mas tanto a versão …caiu do céu quanto …caiu do espaço são aceitas (embora eu prefira a primeira opção). O exemplar da Hedra é em formato pocket, folhas brancas e diagramação simples. Na edição, além do conto, há uma introdução e um apêndice que consta três textos do Lovecraft: Notas sobre uma não entidade (adoro esse título), de 1933, um relato autobiográfico do autor; A confissão de um cético, de 1922, breve ensaio do autor sobre os próprios interesses religiosos, científicos e filosóficos e Notas sobre ficção interplanetária, de 1934, artigo que defende as possibilidades artísticas da ficção científica. 

Tudo isso em 96 páginas!

No mais, o conto é bem interessante e merece ser relido – para pegar aqueles detalhes que passaram  despercebidos. Recomendado para todos que apreciam histórias de horror e ficção científica que fogem dos clichês!

LOVECRAFT, H.P. A cor que caiu do espaço. São Paulo: Hedra, 2011.

5 latas

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