A mulher que escreveu a bíblia – Moacyr Scliar

Um livro. Um livro que conte a história da humanidade, de nosso povo. Um livro que seja a base da civilização. Claro, o livro, como objeto, também é perecível. Mas o conteúdo do livro, não. É uma mensagem que passa de geração em geração, que fica na cabeça das pessoas. E que se espalha pelo mundo. O livro é dinâmico. O livro se dissemina como as sementes que o vento leva (p.116).

Mocacyr-a-mulher-q-escreveu-a-biblia1São tempos difíceis para a literatura brasileira. Em uma semana perdemos João Ubaldo Ribeiro, Rubem Alves e Ariano Suassuna. Todos vão se juntar ao nosso autor de hoje, Moacyr Scliar, outro saudoso ícone de nossa produção literária. O livro desse post é A mulher que escreveu a bíblia, e parte de uma premissa interessante: o escritor Harold Bloom, em seu livro The book of J., levanta a tese de que a primeira versão da bíblia hebraica teria sido escrita por uma mulher, na segunda metade do século X a.C. Partindo desse ponto, Moacyr Scliar (que não sei porque cargas d’água eu sempre leio Siliar) cria uma narrativa envolvente e divertida sobre como teria sido a vida dessa mulher. 

Tudo começa em uma sessão de terapia de vidas passadas onde uma mulher descobre que fora uma das setecentas esposas do Rei Salomão, porém a única que sabia ler e escrever. Essa característica lhe faria ganhar muitos pontos sobre as outras esposas não fosse um pequeno detalhe: ela era feia. Não feia comum, mas muito feia, pior que acidente de trem! Embora a feiura, a personagem utiliza-se de várias façanhas e truques para conseguir que seu marido a perceba e a reconheça como uma mulher especial.

E é nesse contexto que, após uma confusão, o Rei descobre que ela sabia escrever muito bem e a pede que faça um livro especial, junto com seis anciãos, para que suas obras fossem eternizadas. Entre um versículo e outro, nossa amiga se envolve em encrencas, realiza desejos, planeja vinganças e se torna alguém importante. 

Bom, o livro é bem divertido e fácil de ler. A linguagem é simples e bem coloquial; o autor utiliza-se de palavras populares e, até mesmo, chulas para transmitir sua mensagem. O livro é fininho (216 páginas) e não possui divisão por capítulos. Com um dom excepcional Scliar nos guia por esse tempo remoto e nos conta como o rumo da História poderia ter sido diferente caso a autoria da bíblia fosse mesmo creditada à uma mulher (muito safadeeenha pro meu gosto, rsrs).

Recomendo a todos a leitura de A mulher que escreveu a bíblia, uma narrativa simples e com diversão garantida!

SCLIAR, Moacyr. A mulher que escreveu a bíblia. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

4 latas

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s