***** OFF *****

Estou utilizando o espaço desse humilde bloguinho para um pequeno momento de desabafo. Que as duas pessoas que o lêem me perdoem pelo uso do espaço para dividir algo tão pessoal, mas não encontro nada mais em que confiar do que no meu próprio espaço de criação (e de lamentos, e de catarse…).

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Ultimamente tenho passado por períodos de turbulência em minha vida. Nada relacionado à família ou aos amigos, mas comigo mesma e com todas as coisas que passam pela minha cabeça e que me fazem sofrer mais do que o considerado normal para o resto das pessoas.

Tudo começa com aquela sensação de inadequação ao mundo que me acompanha desde sempre. Desta vez ela se reflete no ambiente profissional. Já sou formada (tenho duas faculdades) e já estou ficando velha, mas sinto que ainda não descobri qual minha vocação, o que realmente quero fazer da minha vida, assim, desde o mês de março, arrumei um trabalho em um escritório, sem saber muito o que esperar, sem muitas perspectivas, mas precisava arrumar algo para fazer.

Pois, foi aí que o inferno em minha vida começou. Desde o começo senti que aquilo não ia dar certo. O serviço não combina comigo e eu não consigo me adaptar. Para somar, eu não concordo com a forma como eles tratam as pessoas, não gosto do ambiente e cheguei ao ponto de não suportar nem o cheiro do lugar. Meus dias são de sofrimento; choro todos os dias só de pensar naquele lugar e, por mim, já estaria longe faz tempo.

Ao conversar com as pessoas algumas me apoiaram, mas sinto que a maioria não consegue compreender o que realmente eu sinto; acham que é frescura, que faço drama, mas só quem está sentindo sabe o quão ruim é. Escutei histórias tristes de gente que ralou e agüentou situações horríveis (bem piores que a minha), mas que hoje estão bem. Isso não me motiva, só me faz sofrer ainda mais, porque me martirizo por estar estar sofrendo por algo que não deveria (ou não).

A verdade é que eu prezo o bem estar acima de qualquer coisa. Independente de dinheiro, se eu não me sentir bem não vejo problema algum em cair fora e tentar arrumar algo melhor. Que nenhum trabalho é bom eu sei, mas acho que deveríamos pelo menos buscar algo que seja tolerável, ou menos ruim. Ultimamente sinto uma ponta de inveja daquelas pessoas que gostam do que fazem. Queria saber qual o segredo delas…

lagrimas-6735-1Sei que sou uma sonhadora e neste mundo de hoje em dia sonhar é um pecado imperdoável. Você tem que ter dinheiro, ser bem sucedido e contar para todos o quanto você se sacrificou para conquistar suas coisas. Por quê? De que adianta juntar dinheiro para quando você se aposentar se no futuro você não tiver saúde, tiver problemas de saúde relacionados ao estresse, dor nas costas, gastrite nervosa, pressão alta… de que adianta, acumular bens para o fim da vida e deixar de aproveitar a vida realmente?

Me dói saber que já estou perto dos trinta e ainda não tenho nada que é realmente meu. As vezes penso que quanto mais anos de estudo uma pessoa tem, mais infeliz ela é: a gente costuma racionalizar e pensar muito sobre as coisas e se frusta muita mais; a gente sabe do nosso potencial e não vê reconhecimento e, no fim, quando a depressão bate de vez a gente sente que esses anos não valeram de nada (falo por mim, ok?)…

Por que não fui trabalhar num pet shop? Eu seria feliz no meio dos animais mais do que sou no meio das pessoas…

Porém, no meio de tanta coisa ruim acontecendo, as vezes aparecem anjos que nos compreendem, nos ouvem e seguram nossa mão nos momentos de melancolia. Agradeço a essas pessoas por me ajudarem, por me consolarem e emprestarem seu colo para que eu derrame minhas lágrimas. 

Enquanto eu não consigo juntar os cacos espalhados dentro de mim, torço em silêncio para essa fase ruim passar – e que depois da tempestade venham dias de bonança….

 (…) nem sempre é necessário tornar-se forte. Temos que respeitar a nossa fraqueza. Então, são lágrimas suaves, de uma tristeza legítima à qual temos direito. Elas correm devagar e quando passam pelos lábios sente-se aquele gosto salgado, límpido, produto de nossa dor mais profunda. 

Clarice Lispector in Crónicas no ‘Jornal do Brasil (1967)’ 

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Voltemos a nossa programação normal…

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