Guerra Mundial Z – Max Brooks

Os mortos-vivos levaram de nós mais do que terras e entes queridos. Eles nos roubaram nossa confiança como forma de vida dominante do planeta. Éramos uma espécie alquebrada e abalada, impelida à beira da extinção e grata apenas por um amanhã com talvez um sofrimento um pouco menor do que o de hoje. Seria este o legado que deixaríamos a nossos filhos, um nível de angústia e dúvida pessoal jamais vista desde que nossos ancestrais símios fugiram para as árvores mais altas? Que tipo de mundo eles reconstruiriam? E será que o reconstruiriam? Poderiam eles continuar a progredir, sabendo que não tinham poder para resgatar seu futuro? E se esse futuro visse outra ascensão dos mortos-vivos? Nossos descendentes se ergueriam para combatê-los em batalha ou simplesmente se encolheriam numa rendição submissa e aceitariam o que acreditariam ser sua extinção inevitável? Só por este motivo, tínhamos de recuperar o planeta. Precisávamos provar a nós mesmos que podíamos fazer isso e deixar essa prova como o maior monumento da guerra. A longa e árdua estrada de volta à humanidade ou a letargia regressiva dos antes orgulhosos primatas da Terra. Esta era a decisão a tomar e precisava ser tomada já. (p.287)

Eu voltei, agora pra ficar… Porque aqui, aqui é meu lugar!!! Minha gente, olha só quem voltou da terra do nunca direto para a terra dos mortos: Eu!!! Prometo não me ausentar mais por tanto assim. Agora vamos aos trabalhos.
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Andei por um tempo sem inspiração para ler nada, olhava o que eu tinha e nada me chamava a atenção. Um belo dia estava eu andando pela feira do livro aqui de Ribeirão e me deparei com o Guerra Mundial Z do nosso amigo nerd Max Brooks; estava baratinho então resolvi ver qualéqueé. Guerra Mundial Z: uma história oral da guerra dos zumbis, conta na forma de relatos como toda a guerra se desenrolou ao longo de dez anos, desde seu começo até o momento em que a humanidade consegue reconquistar o seu espaço no planeta. O livro é dividido em nove partes, sendo uma introdução e oito capítulos. Tudo é descrito de forma cronológica, assim o narrador sem nome (que não é bem um narrador, ele é apenas a pessoa que coletou as informações, fez entrevistas e compilou tudo em um único lugar) monta uma linha do tempo de como tudo começou, desde o paciente zero.

Os depoimentos contidos no livro passam por vários lugares do mundo; mostram como cada população reagiu ao surto do vírus zumbi, também conta as várias maneiras de infecção possíveis – contato direto e até por órgãos contaminados transplantados, além de mostrar como cada pessoa, a sua maneira, lidou com o caos: alguns lutaram e outros simplesmente desistiram. Mostrou planos de evacuação, estratégias de guerra e maneiras muitas vezes sórdidas de salvar pessoas (ou apenas aquelas que valiam a pena serem salvas).

Logo no início do livro, quando a epidemia zumbi era apenas uma ameça distante, o autor descreve relatos de uma droga que protegeria a população e os deixaria imunes a esse mal. Claro que não havia nada para salvar as pessoas, apenas a esperança e a falsa ilusão de que estavam protegidas. Assim, não haveria problemas, como revoltas populares, e o governo manteria sua aparência. Alguma semelhança com o mundo real? Talvez…

Assim, mais que um livro sobre uma guerra zumbi se estes fossem tirados da história ainda veríamos uma crítica aos governos, formas de se fazer política, religiões, etc. Também mostra como a indústria farmacêutica age para vender “esperança” para a população, estratégias de marketing e como mentiras são mantidas apenas para que se cumpra os interesses de uma minoria privilegiada. Intencional ou não, é um ponto interessante e pode levar a várias discussões.

[…] Você “resolveria” a pobreza? Dá pra “resolver” a criminalidade? Dá pra “resolver” as doenças, o desemprego, a guerra ou qualquer outro herpes social? Claro que não. Só o que se pode esperar é torná-los administráveis o suficiente para que as pessoas toquem a vida. Isso não é ceticismo de minha parte, é maturidade. Não se pode parar a chuva. Só o que se pode fazer é construir um telhado que você espera que não tenha goteira, ou pelo menos que não cai goteira nas pessoas que vão votar em você (p.72).

A escrita do livro é dinâmica, com cada depoimento contando um ponto de vista diferente sobre a epidemia zumbi, mas… no capítulo seis, “Pelo mundo afora”, achei que toda a narrativa fica meio boring, tudo meio lento demais tanto que me peguei por diversas vezes pensando em pular algumas partes… A edição da editora Rocco é ok. As páginas em papel offset cansam um pouco a vista e esse selo do filme na capa é desnecessário… aliás, o filme nada tem a ver com o livro. Ao ler tentei reconhecer algumas passagens, mas não havia nada. A única coisa que o filme tem a ver com o livro é só o título mesmo.

Aliás, para você, que como eu, já está se preparando para quando o apocalipse zumbi acontecer (notem que eu disse QUANDO e não SE), aqui fica um vídeo bem interessante de possíveis refúgios seguros para nos protegermos e esperarmos com tranquilidade essa fase ruim passar.

No mais, o livro é bem interessante e dialoga com seus leitores de maneira fácil e sem rodeios. A forma de relatos traz veracidade a história (ainda que esteja se tratando de algo ficcional) e nos insere em um mundo pós-apocalíptico onde nada mais é como conhecemos. Tirando as partes que são mais cansativas, o livro é um ótimo divertimento e leitura obrigatória para todos aqueles que são amantes de histórias de zumbis!

BROOKS, Max. Guerra mundial Z: uma história oral da guerra dos zumbis. Rio de Janeiro: Rocco, 2010.

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