O Exorcista – William Peter Blatty

Assim como o o brilho breve dos raios de sol não é notado pelos olhos de homens cegos, o começo do horror passou despercebido; com o guincho do que ocorreu em seguida, o início foi, na verdade, esquecido e talvez não relacionado de forma alguma ao horror. Era difícil saber…

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Eu disse que não demoraria mais tanto tempo para fazer novas postagens! Aqui estou trazendo um clássico do cinema que poucas pessoas sabem que foi baseado em um livro:
O Exorcista, completou quarenta anos e está com uma versão revista pelo autor, William Peter Blatty, trazendo todo o horror de uma história que arrebatou uma multidão e, até hoje, é lembrada como a melhor história de terror de todos os tempos! Pegue sua pipoca e sua água benta e vamos conferir essa belezinha!

Logo no primeiro ato do livro somos apresentados às personagens principais: Chris MacNeil é uma atriz renomada e de muito sucesso. Ela está vivendo em uma casa alugada com sua filha Regan, uma menina doce e educada de onze anos. Além delas também vivem na casa os empregados Karl e Willie e Sharon, secretária de Chris e tutora de Regan. Perto da casa há um centro residencial de jesuítas, onde vive o padre e psiquiatra Damien Karras, um padre que, ao longo dos anos, começou a duvidar de sua fé… Ainda na primeira parte percebemos que Regan começa a agir de modo estranho: no início Chris notou barulhos estranhos e queixas infundadas da filha, porém quando percebeu a mudança repentina de atitude da menina, ela procurou médicos e fez vários exames para descobrir o que havia de errado.

Os exames não revelaram nada e, desacreditados sobre a situação da menina e sem saber o que fazer, os médicos, pensando que poderia se tratar de um distúrbio mental, aconselharam Chris a procurar um exorcista. A explicação: se a menina acredita estar possuída, um ritual de exorcismo, ainda que encenado, a fará acreditar na cura. E assim, desesperada, Chris (uma pessoa ateia, vale lembrar) procura o padre Karras, que a ajudará na condição complicada da filha.

Eis aqui pontos que se diferem do filme: o filme deixa muito claro para o espectador que sim, Regan foi possuída por um demônio e o exorcismo é a única solução. No livro o autor a todo momento procura explicações científicas para questionar o que acontece. O padre Karras é esse ponto de racionalização. Por ser também um psiquiatra, ele busca na literatura médica casos que se assemelham ao da menina e que possam, de alguma forma, ser entendidos pela medicina, assim, uma vez que todos os sintomas são explicados não há certeza da possessão. Segundo ele, se uma pessoa acredita estar possuída por um demônio (ou um espírito) essa pessoa terá todos os “sintomas” de uma possessão. Portanto o exorcismo nada mais será que uma “auto-sugestão” e funcionará muito bem, obrigado, mesmo que sendo feito por bons atores e não por padres, necessariamente.

Durante todo o transcorrer da história temos este embate entre a possessão verdadeira e a doença mental (seja ela esquizofrenia, histeria, ou qualquer outra). Durante a maior parte do livro eu, particularmente, acreditei que tudo não passou realmente de um distúrbio mental da menina, mas… sempre fica aquela pulga atrás da orelha… será?

Edição especial de 40 anos

Edição especial de 40 anos


Bom… o livro possui quatro atos além de um prólogo e um epílogo. A escrita do autor é fluente e bem direta, as pequenas nuances da história se encaixam perfeitamente nos diálogos e nas poucas descrições existentes. Eu diria que o livro trata-se de um terror psicológico, pois ele joga com as informações e acontecimentos de tal forma que sempre nos deixa em dúvida. O autor se baseou em uma história real que aconteceu na década de 1940, fazendo as alterações necessárias para tornar tudo mais instigante e interessante.

A edição da editora agir está muito boa. Há alguns erros bobos de revisão, mas nada com que se preocupar. Folhas amarelas e 333 páginas que podem ser lidas numa tacada só! Livro mais que recomendado!

No mais, eu tenho uma opinião formada sobre o que aconteceu com a menina (para mim não houve possessão, apenas uma forte doença mental somada ao medo e ao desespero de todos os envolvidos, que poderiam ter criado imagens não condizentes com a realidade), mas isso pode variar de acordo com a crença de cada um. O final fica em aberto e cada leitor deve interpretá-lo a sua maneira. Afinal, como disse o padre Merrin, o exorcista, nem todo o mal é culpa do diabo.

[…]Acho que é aí que está, Damien… a possessão. Não nas guerras, como algumas pessoas acreditam, não tanto. E muito raramente em intervenções extraordinárias como aqui… Esta menina… Esta pobre criança. Não, costumo ver a possessão nas coisas pequenas, Damien. Nas picuinhas e nos desentendimentos; na palavra cruel e cortante que salta livre à língua entre amigos. Entre namorados. Entre marido e mulher. Temos muito disso e não precisamos de Satanás para criar nossas guerras. Conseguimos criá-las sozinhos… Sozinhos (p.305).


5 latas


BLATTY, William Peter. O exorcista. Rio de Janeiro: Agir, 2015.

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