Clube da Luta – Chuck Palahniuk

  1. A primeira regra do clube da luta é que você não fala sobre o clube da luta.
  2. A segunda regra do clube da luta é que você não fala sobre o clube da luta.
  3. Quando alguém  diz “pare” ou fica desacordado, mesmo que esteja fingindo, a luta acaba.
  4. Apenas duas pessoas por luta.
  5. Uma luta por vez.
  6. Sem camisa e sem sapatos.
  7. As lutas duram o quanto tiverem que durar.

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Olha quem está aqui outra vez!!! A novidade de hoje é o polêmico, sqn, livro do nosso amigo de fé e irmão camarada Chuck Palahniuk: Clube da Luta! Sim minha gente, existiu um livro antes do filme – e é sobre esta obra da literatura que iremos conversar…

Bom, a história do livro nos é contata por um narrador sem nome e que vai levando uma vida bem mediana – ele possui um emprego fixo, um apartamento, gasta seu dinheiro com coisas supérfluas e ainda sofre de insônia. E é justamente por causa dessa insônia que ele vai parar em grupos de apoio para pessoas doentes – desde os grupos de câncer de próstata até os de portadores de parasitas mentais -, e é por meios desses encontros que ele consegue encontrar, de certa forma, algum conforto e dormir em paz. Tudo vai bem até que ele encontra Marla Singer, outra impostora que, como ele, também participa de grupos de apoio. E é nesse meio tempo, entre viagens e idas a grupos de apoio que o narrador conhece Tyler Durden (um homem forte, destemido e determinado) e juntos eles acabam fundando o Clube da Luta, um pano de fundo para vários outros acontecimentos…

Vamos começar do início: o livro é todo escrito através dos pensamentos do nosso narrador. Ele faz cortes, pausas, interrompe e retoma assuntos, faz referências a coisas já ditas muito antes, quase um fluxo de consciência que pode confundir algumas pessoas, mas, mesmo sendo as vezes uma narrativa aleatória, há uma linha que sempre se segue e tudo está interligado – fazendo total sentido. O encontro com Tyler acrescenta na trajetória do narrador mais emoção; quando ambos decidem criar o Clube da Luta não esperavam a adesão de tantas pessoas, mas foi algo que tomou enormes proporções e que, a partir de um ponto, ficou sem controle.

Parando um pouco para filosofar, e seguindo as dicas que o autor deixa no decorrer do livro, o clube da luta nada mais é do que a busca de homens por autoafirmação e uma oportunidade de demonstração da masculinidade através da força (Gente, vamos melhorar! O ser humano já desceu das árvores há muito tempo pra vocês ficarem nessa de bater uns nos outros!). Mas o enredo vai muito além disso: diferentemente do filme onde o foco está no clube, o livro nos mostra mais sobre a personalidade do narrador, ele se aprofunda na história de vida de Marla, faz reflexões sobre consumismo, solidão e a forma como as pessoas trabalham em empregos que não gostam para ganhar dinheiro, comprar coisas, se endividarem e, assim, continuarem nesse ciclo vicioso de tédio e frustração. O clube da luta em si é apenas um pano de fundo, uma desculpa que existe para se expor a forma de vida medíocre que algumas pessoas levam –  e que elas seriam capaz de qualquer coisa para não terminar sendo apenas mais um.

Para aqueles que não viram o filme e que não sabem o “pulo-do-gato” que existe no enredo, já digo que ao longo da narrativa o autor, na voz no personagem, vai deixando várias dicas do que está acontecendo… Fiquem espertos!

Também para que não haja decepção, já digo que o filme tem várias diferenças do livro (o final, por exemplo), mesmo assim ambos são ótimos! O filme começou causando estranheza nas pessoas, mas foi catapultado da seção de filmes pipoca e hoje é um clássico dos filmes cult (exagermo meu?).

No mais, a escrita do Chuck é super fácil e fluida. O livro possui 270 páginas em papel pólen e a edição da Leya está muito boa. A leitura é rápida, mas exige certa atenção do leitor para não se perder nos devaneios da nossa personagem – e nos sarcasmos e ironias do autor. Em toda a narrativa há várias passagens e frases que te fazem pensar (além de algumas cutucadas que o autor dá, indiretamente, em alguns best-sellers que existem por aí).

Recomendo para todos essa leitura fácil, divertida e surpreendente!

-Eu vejo os homens mais fortes e inteligentes que já viveram – […] – e esses homens estão enchendo tanques de carros e servindo mesas.
[…] Há uma categoria de homens e mulheres jovens e fortes que querem dar a própria vida por algo. A propaganda faz essas pessoas irem atrás de carros e roupas de que elas não precisam. Gerações têm trabalhado em empregos que odeiam para poder comprar coisas de que realmente não precisam. – Não temos uma grande guerra em nossa geração ou uma grande depressão, mas na verdade temos, sim, é uma grande guerra de espírito. Temos uma grande revolução contra a cultura. A grande depressão é a nossa vida. Temos uma depressão espiritual. (p.186)

5 latas

PALAHNIUK, Chuck. Clube da luta. São Paulo: Leya, 2012.

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