Androides sonham com ovelhas elétricas? – Philip K. Dick

Aleluia! Aleluia! Aleluia! Aleluia! Aleluia! Olhem só quem regressou do limbo e está de volta a essa pequena terra chamada blog!!! Quanta coisa aconteceu minha gente! Que mundão doido! Olha, espero que este ano de 2017 seja muito bom porque o-ano-que-não-vamos-nomear foi uma sandice só!

E eu volto aqui com a minha linda cara de pau como se nada tivesse acontecido, para trazer o primeiro livro do ano!!! (aplausos)  E nada melhor que uma bela ficção científica para termos a esperança de um futuro melhor (ou não).

1-edic%cc%a7a%cc%83o-mais-recente-publicada-pela-editora-aleph1Para hoje temos Androides sonham com ovelhas elétricas? do nosso amiguxo Philip K. Dick. Para quem não sabe, este foi o livro que inspirou o filme Blade Runner, de 1982, e que, logo menos, voltará as telonas do cinema. Bom, o que eu achei sobre o livro… 

Então, para começar, a história acompanha a trajetória de Rick Deckard, um caçador de recompensas que ganha a vida caçando e aposentando androides.  Neste contexto, temos a Terra praticamente destruída depois de uma guerra atômica, no qual a maioria da população migrou para colônias fora do planeta. Os que ficaram convivem com a poeira radioativa e, muitas vezes, com a falta de esperança, buscando a todo custo uma vida melhor.

Androides… é um livro muito bom para quem gosta do gênero. Além de abordar um futuro distópico, o autor também propõe questões filosóficas profundas sobre a natureza da vida, da religião, da tecnologia e da própria condição humana. Porém… olha vou ser sincera: não sei se já contei, mas gêneros como fantasia e ficção não conseguem me pegar. Para o leitor se aprofundar nas histórias é preciso de algo chamado “suspensão de descrença” que eu, definitivamente, não tenho.

Vocês vão ter que me perdoar, sei que o livro é um clássico e tal, mas eu achei bem chato. Tive a sensação de que a história saiu do nada e foi pra lugar nenhum… posso ter perdido uma parte importante, mas não entendi qual o problema dos humanos com os androides e o porquê de ‘aposentar’ os coitados… também não consegui me apegar as personagens, o único que me fez sentir algo foi o ‘cabeça de galinha’ John Isidore. 

Bom, não vou me estender mais… acho que me decepcionei um pouco, talvez eu esperasse algo grandioso, mas achei meio nhé (ou eu mesma que não entendi nada, o que é uma possibilidade bem alta). No mais, pra quem é fã do gênero: se joga!

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DICK, Philip K. Androides sonham com ovelhas elétricas? São Paulo: Aleph, 2014.

Clube da Luta – Chuck Palahniuk

  1. A primeira regra do clube da luta é que você não fala sobre o clube da luta.
  2. A segunda regra do clube da luta é que você não fala sobre o clube da luta.
  3. Quando alguém  diz “pare” ou fica desacordado, mesmo que esteja fingindo, a luta acaba.
  4. Apenas duas pessoas por luta.
  5. Uma luta por vez.
  6. Sem camisa e sem sapatos.
  7. As lutas duram o quanto tiverem que durar.

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Olha quem está aqui outra vez!!! A novidade de hoje é o polêmico, sqn, livro do nosso amigo de fé e irmão camarada Chuck Palahniuk: Clube da Luta! Sim minha gente, existiu um livro antes do filme – e é sobre esta obra da literatura que iremos conversar…

Bom, a história do livro nos é contata por um narrador sem nome e que vai levando uma vida bem mediana – ele possui um emprego fixo, um apartamento, gasta seu dinheiro com coisas supérfluas e ainda sofre de insônia. E é justamente por causa dessa insônia que ele vai parar em grupos de apoio para pessoas doentes – desde os grupos de câncer de próstata até os de portadores de parasitas mentais -, e é por meios desses encontros que ele consegue encontrar, de certa forma, algum conforto e dormir em paz. Tudo vai bem até que ele encontra Marla Singer, outra impostora que, como ele, também participa de grupos de apoio. E é nesse meio tempo, entre viagens e idas a grupos de apoio que o narrador conhece Tyler Durden (um homem forte, destemido e determinado) e juntos eles acabam fundando o Clube da Luta, um pano de fundo para vários outros acontecimentos…

Vamos começar do início: o livro é todo escrito através dos pensamentos do nosso narrador. Ele faz cortes, pausas, interrompe e retoma assuntos, faz referências a coisas já ditas muito antes, quase um fluxo de consciência que pode confundir algumas pessoas, mas, mesmo sendo as vezes uma narrativa aleatória, há uma linha que sempre se segue e tudo está interligado – fazendo total sentido. O encontro com Tyler acrescenta na trajetória do narrador mais emoção; quando ambos decidem criar o Clube da Luta não esperavam a adesão de tantas pessoas, mas foi algo que tomou enormes proporções e que, a partir de um ponto, ficou sem controle.

Parando um pouco para filosofar, e seguindo as dicas que o autor deixa no decorrer do livro, o clube da luta nada mais é do que a busca de homens por autoafirmação e uma oportunidade de demonstração da masculinidade através da força (Gente, vamos melhorar! O ser humano já desceu das árvores há muito tempo pra vocês ficarem nessa de bater uns nos outros!). Mas o enredo vai muito além disso: diferentemente do filme onde o foco está no clube, o livro nos mostra mais sobre a personalidade do narrador, ele se aprofunda na história de vida de Marla, faz reflexões sobre consumismo, solidão e a forma como as pessoas trabalham em empregos que não gostam para ganhar dinheiro, comprar coisas, se endividarem e, assim, continuarem nesse ciclo vicioso de tédio e frustração. O clube da luta em si é apenas um pano de fundo, uma desculpa que existe para se expor a forma de vida medíocre que algumas pessoas levam –  e que elas seriam capaz de qualquer coisa para não terminar sendo apenas mais um.

Para aqueles que não viram o filme e que não sabem o “pulo-do-gato” que existe no enredo, já digo que ao longo da narrativa o autor, na voz no personagem, vai deixando várias dicas do que está acontecendo… Fiquem espertos!

Também para que não haja decepção, já digo que o filme tem várias diferenças do livro (o final, por exemplo), mesmo assim ambos são ótimos! O filme começou causando estranheza nas pessoas, mas foi catapultado da seção de filmes pipoca e hoje é um clássico dos filmes cult (exagermo meu?).

No mais, a escrita do Chuck é super fácil e fluida. O livro possui 270 páginas em papel pólen e a edição da Leya está muito boa. A leitura é rápida, mas exige certa atenção do leitor para não se perder nos devaneios da nossa personagem – e nos sarcasmos e ironias do autor. Em toda a narrativa há várias passagens e frases que te fazem pensar (além de algumas cutucadas que o autor dá, indiretamente, em alguns best-sellers que existem por aí).

Recomendo para todos essa leitura fácil, divertida e surpreendente!

-Eu vejo os homens mais fortes e inteligentes que já viveram – […] – e esses homens estão enchendo tanques de carros e servindo mesas.
[…] Há uma categoria de homens e mulheres jovens e fortes que querem dar a própria vida por algo. A propaganda faz essas pessoas irem atrás de carros e roupas de que elas não precisam. Gerações têm trabalhado em empregos que odeiam para poder comprar coisas de que realmente não precisam. – Não temos uma grande guerra em nossa geração ou uma grande depressão, mas na verdade temos, sim, é uma grande guerra de espírito. Temos uma grande revolução contra a cultura. A grande depressão é a nossa vida. Temos uma depressão espiritual. (p.186)

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PALAHNIUK, Chuck. Clube da luta. São Paulo: Leya, 2012.

O Exorcista – William Peter Blatty

Assim como o o brilho breve dos raios de sol não é notado pelos olhos de homens cegos, o começo do horror passou despercebido; com o guincho do que ocorreu em seguida, o início foi, na verdade, esquecido e talvez não relacionado de forma alguma ao horror. Era difícil saber…

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Eu disse que não demoraria mais tanto tempo para fazer novas postagens! Aqui estou trazendo um clássico do cinema que poucas pessoas sabem que foi baseado em um livro:
O Exorcista, completou quarenta anos e está com uma versão revista pelo autor, William Peter Blatty, trazendo todo o horror de uma história que arrebatou uma multidão e, até hoje, é lembrada como a melhor história de terror de todos os tempos! Pegue sua pipoca e sua água benta e vamos conferir essa belezinha!

Logo no primeiro ato do livro somos apresentados às personagens principais: Chris MacNeil é uma atriz renomada e de muito sucesso. Ela está vivendo em uma casa alugada com sua filha Regan, uma menina doce e educada de onze anos. Além delas também vivem na casa os empregados Karl e Willie e Sharon, secretária de Chris e tutora de Regan. Perto da casa há um centro residencial de jesuítas, onde vive o padre e psiquiatra Damien Karras, um padre que, ao longo dos anos, começou a duvidar de sua fé… Ainda na primeira parte percebemos que Regan começa a agir de modo estranho: no início Chris notou barulhos estranhos e queixas infundadas da filha, porém quando percebeu a mudança repentina de atitude da menina, ela procurou médicos e fez vários exames para descobrir o que havia de errado.

Os exames não revelaram nada e, desacreditados sobre a situação da menina e sem saber o que fazer, os médicos, pensando que poderia se tratar de um distúrbio mental, aconselharam Chris a procurar um exorcista. A explicação: se a menina acredita estar possuída, um ritual de exorcismo, ainda que encenado, a fará acreditar na cura. E assim, desesperada, Chris (uma pessoa ateia, vale lembrar) procura o padre Karras, que a ajudará na condição complicada da filha.

Eis aqui pontos que se diferem do filme: o filme deixa muito claro para o espectador que sim, Regan foi possuída por um demônio e o exorcismo é a única solução. No livro o autor a todo momento procura explicações científicas para questionar o que acontece. O padre Karras é esse ponto de racionalização. Por ser também um psiquiatra, ele busca na literatura médica casos que se assemelham ao da menina e que possam, de alguma forma, ser entendidos pela medicina, assim, uma vez que todos os sintomas são explicados não há certeza da possessão. Segundo ele, se uma pessoa acredita estar possuída por um demônio (ou um espírito) essa pessoa terá todos os “sintomas” de uma possessão. Portanto o exorcismo nada mais será que uma “auto-sugestão” e funcionará muito bem, obrigado, mesmo que sendo feito por bons atores e não por padres, necessariamente.

Durante todo o transcorrer da história temos este embate entre a possessão verdadeira e a doença mental (seja ela esquizofrenia, histeria, ou qualquer outra). Durante a maior parte do livro eu, particularmente, acreditei que tudo não passou realmente de um distúrbio mental da menina, mas… sempre fica aquela pulga atrás da orelha… será?

Edição especial de 40 anos

Edição especial de 40 anos


Bom… o livro possui quatro atos além de um prólogo e um epílogo. A escrita do autor é fluente e bem direta, as pequenas nuances da história se encaixam perfeitamente nos diálogos e nas poucas descrições existentes. Eu diria que o livro trata-se de um terror psicológico, pois ele joga com as informações e acontecimentos de tal forma que sempre nos deixa em dúvida. O autor se baseou em uma história real que aconteceu na década de 1940, fazendo as alterações necessárias para tornar tudo mais instigante e interessante.

A edição da editora agir está muito boa. Há alguns erros bobos de revisão, mas nada com que se preocupar. Folhas amarelas e 333 páginas que podem ser lidas numa tacada só! Livro mais que recomendado!

No mais, eu tenho uma opinião formada sobre o que aconteceu com a menina (para mim não houve possessão, apenas uma forte doença mental somada ao medo e ao desespero de todos os envolvidos, que poderiam ter criado imagens não condizentes com a realidade), mas isso pode variar de acordo com a crença de cada um. O final fica em aberto e cada leitor deve interpretá-lo a sua maneira. Afinal, como disse o padre Merrin, o exorcista, nem todo o mal é culpa do diabo.

[…]Acho que é aí que está, Damien… a possessão. Não nas guerras, como algumas pessoas acreditam, não tanto. E muito raramente em intervenções extraordinárias como aqui… Esta menina… Esta pobre criança. Não, costumo ver a possessão nas coisas pequenas, Damien. Nas picuinhas e nos desentendimentos; na palavra cruel e cortante que salta livre à língua entre amigos. Entre namorados. Entre marido e mulher. Temos muito disso e não precisamos de Satanás para criar nossas guerras. Conseguimos criá-las sozinhos… Sozinhos (p.305).


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BLATTY, William Peter. O exorcista. Rio de Janeiro: Agir, 2015.

Guerra Mundial Z – Max Brooks

Os mortos-vivos levaram de nós mais do que terras e entes queridos. Eles nos roubaram nossa confiança como forma de vida dominante do planeta. Éramos uma espécie alquebrada e abalada, impelida à beira da extinção e grata apenas por um amanhã com talvez um sofrimento um pouco menor do que o de hoje. Seria este o legado que deixaríamos a nossos filhos, um nível de angústia e dúvida pessoal jamais vista desde que nossos ancestrais símios fugiram para as árvores mais altas? Que tipo de mundo eles reconstruiriam? E será que o reconstruiriam? Poderiam eles continuar a progredir, sabendo que não tinham poder para resgatar seu futuro? E se esse futuro visse outra ascensão dos mortos-vivos? Nossos descendentes se ergueriam para combatê-los em batalha ou simplesmente se encolheriam numa rendição submissa e aceitariam o que acreditariam ser sua extinção inevitável? Só por este motivo, tínhamos de recuperar o planeta. Precisávamos provar a nós mesmos que podíamos fazer isso e deixar essa prova como o maior monumento da guerra. A longa e árdua estrada de volta à humanidade ou a letargia regressiva dos antes orgulhosos primatas da Terra. Esta era a decisão a tomar e precisava ser tomada já. (p.287)

Eu voltei, agora pra ficar… Porque aqui, aqui é meu lugar!!! Minha gente, olha só quem voltou da terra do nunca direto para a terra dos mortos: Eu!!! Prometo não me ausentar mais por tanto assim. Agora vamos aos trabalhos.
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Andei por um tempo sem inspiração para ler nada, olhava o que eu tinha e nada me chamava a atenção. Um belo dia estava eu andando pela feira do livro aqui de Ribeirão e me deparei com o Guerra Mundial Z do nosso amigo nerd Max Brooks; estava baratinho então resolvi ver qualéqueé. Guerra Mundial Z: uma história oral da guerra dos zumbis, conta na forma de relatos como toda a guerra se desenrolou ao longo de dez anos, desde seu começo até o momento em que a humanidade consegue reconquistar o seu espaço no planeta. O livro é dividido em nove partes, sendo uma introdução e oito capítulos. Tudo é descrito de forma cronológica, assim o narrador sem nome (que não é bem um narrador, ele é apenas a pessoa que coletou as informações, fez entrevistas e compilou tudo em um único lugar) monta uma linha do tempo de como tudo começou, desde o paciente zero.

Os depoimentos contidos no livro passam por vários lugares do mundo; mostram como cada população reagiu ao surto do vírus zumbi, também conta as várias maneiras de infecção possíveis – contato direto e até por órgãos contaminados transplantados, além de mostrar como cada pessoa, a sua maneira, lidou com o caos: alguns lutaram e outros simplesmente desistiram. Mostrou planos de evacuação, estratégias de guerra e maneiras muitas vezes sórdidas de salvar pessoas (ou apenas aquelas que valiam a pena serem salvas).

Logo no início do livro, quando a epidemia zumbi era apenas uma ameça distante, o autor descreve relatos de uma droga que protegeria a população e os deixaria imunes a esse mal. Claro que não havia nada para salvar as pessoas, apenas a esperança e a falsa ilusão de que estavam protegidas. Assim, não haveria problemas, como revoltas populares, e o governo manteria sua aparência. Alguma semelhança com o mundo real? Talvez…

Assim, mais que um livro sobre uma guerra zumbi se estes fossem tirados da história ainda veríamos uma crítica aos governos, formas de se fazer política, religiões, etc. Também mostra como a indústria farmacêutica age para vender “esperança” para a população, estratégias de marketing e como mentiras são mantidas apenas para que se cumpra os interesses de uma minoria privilegiada. Intencional ou não, é um ponto interessante e pode levar a várias discussões.

[…] Você “resolveria” a pobreza? Dá pra “resolver” a criminalidade? Dá pra “resolver” as doenças, o desemprego, a guerra ou qualquer outro herpes social? Claro que não. Só o que se pode esperar é torná-los administráveis o suficiente para que as pessoas toquem a vida. Isso não é ceticismo de minha parte, é maturidade. Não se pode parar a chuva. Só o que se pode fazer é construir um telhado que você espera que não tenha goteira, ou pelo menos que não cai goteira nas pessoas que vão votar em você (p.72).

A escrita do livro é dinâmica, com cada depoimento contando um ponto de vista diferente sobre a epidemia zumbi, mas… no capítulo seis, “Pelo mundo afora”, achei que toda a narrativa fica meio boring, tudo meio lento demais tanto que me peguei por diversas vezes pensando em pular algumas partes… A edição da editora Rocco é ok. As páginas em papel offset cansam um pouco a vista e esse selo do filme na capa é desnecessário… aliás, o filme nada tem a ver com o livro. Ao ler tentei reconhecer algumas passagens, mas não havia nada. A única coisa que o filme tem a ver com o livro é só o título mesmo.

Aliás, para você, que como eu, já está se preparando para quando o apocalipse zumbi acontecer (notem que eu disse QUANDO e não SE), aqui fica um vídeo bem interessante de possíveis refúgios seguros para nos protegermos e esperarmos com tranquilidade essa fase ruim passar.

No mais, o livro é bem interessante e dialoga com seus leitores de maneira fácil e sem rodeios. A forma de relatos traz veracidade a história (ainda que esteja se tratando de algo ficcional) e nos insere em um mundo pós-apocalíptico onde nada mais é como conhecemos. Tirando as partes que são mais cansativas, o livro é um ótimo divertimento e leitura obrigatória para todos aqueles que são amantes de histórias de zumbis!

BROOKS, Max. Guerra mundial Z: uma história oral da guerra dos zumbis. Rio de Janeiro: Rocco, 2010.

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A evolução de Mara Dyer – Michelle Hodkin

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“A loucura é a mais terrível das prisões”

Hoje é um novo dia, de um novo tempo que começou… E aí minha gente linda, como estão as coisas? Eu estou bem mais ou menos, mas não é isso que importa… o que importa é que hoje trago a segunda parte do livro que conquistou muitos fãs: A evolução de Mara Dyer! Ela está de volta!!!

Nesta continuação temos nossa amiga Mara em busca de respostas sobre o porquê de ela ser diferente. Noah, como é de se esperar, a ajuda nessa empreitada, mas algo dá muito errado no meio do caminho e a menina é obrigada a frequentar sessões de terapia intermináveis, responder questionários um tanto quanto manipuladores e enfrentar com coragem os mistérios que envolvem seu passado.

Não comentei no post sobre A desconstrução de Mara Dyer, mas acho Mara uma menina meio songa-monga, felizmente nesta continuação ela dá sinais de que está mais esperta e que, finalmente, acordou para a vida! Lógico que ela não seria nada sem a presença de Noah, que com grande paciência a ajuda a resolver os dilemas que estão ocorrendo em sua via. Aliás, devo acrescentar que Noah – moreno, alto, bonito e sensual -ainda está no nosso quadro de pireguetagem literária, mas também devo dar destaque a Daniel, irmão de Mara, que conquista pela astúcia e inteligência. É… podem colocar na lista!

Bom, voltemos ao que interessa: o enredo continua cativante, muito fácil de ler e envolvente. Quando sabemos que um livro tem uma sequência já ficamos com o pé atrás, mas esse segundo volume consegue superar o primeiro (principalmente porque não tem tantos erros de revisão como o primeiro). Porém, gostaria de deixar um recadinho para a editora:

PEGUE SUA PONTUAÇÃO AQUI:

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Gente, esse povo só pode estar de brincadeira! Tá certo que a gente não vive no mundo-cor-de-rosa-da-Barbie, mas também não dá para deixar de lado a falta de atenção na hora da revisão dos livros. O meu exemplar está cheio de frases sem pontuação… Você lê uma fala e pensa: isso é uma pergunta, uma exclamação ou uma afirmação? Sem contar os pontos finais… acho que estava faltando essa tecla no teclado de alguém… Mas sejamos justos, recebi o livro de cortesia então prefiro acreditar que o meu exemplar é apenas uma “amostra” e que os que serão colocados à venda terão esse problema corrigido… #oremos.

Por fim, a edição está muito bonita, são 405 páginas em papel pólen e a capa está um luxo só! O enredo  é envolvente e ágil, há muitos diálogos e muita ação. A única coisa com relação a estória que me incomoda é esse romance entre Noah e Mara que não enrola nem desenrola! Gente, vamos tomar uma atitude rápido! No mais, aguardo ansiosa pela terceira e última parte – que ainda não tem previsão de lançamento no Brasil! OMG!!!

HODKIN, Michelle. A evolução de Mara Dyer. Rio de Janeiro: Galera Record, 2014.

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Cante para eu dormir – Angela Morrison

10154200_676384009087700_2524537638255387514_n1“Ao menos sei cantar. Puxei ao lado da mamãe. Posso não ter a aparência de um pássaro canoro – pareço mais uma cegonha -, mas se você fechar os olhos, vai achar lindo.”

Olá colegas, como anda a vida? A minha anda bem parada… e para dar uma agitada, o post de hoje é sobre o livro Cante para eu dormir, da americana Angela Morrison. Antes que alguém reclame de alguma coisa, já vou avisando que esse livro é sobrinho-neto daquele livro estrelar do João Verde (entendedores entenderão).

O livro conta a história da adolescente Beth, uma jovem que sofreu bullying a vida toda por ser muito feia. Quando criança a primeira frase que seu pai disse ao vê-la foi “nossa, como é feia!“, e essa “profecia” ficou com ela por muitos anos. Na escola era conhecida como A Fera, pois tinha cabelo desgrenhado, espinhas no rosto, óculos fundo de garrafa e era muito alta e magra. Porém Beth tinha algo com que se orgulhar: ela cantava lindamente. Sua participação no coro de meninas ajudou a se classificarem para uma competição na Suiça, mas as meninas não poderiam deixar Beth se apresentar com aquela aparência e a ajudaram com todos os recursos, fazendo dela uma garota renovada, bonita e atraente.

Na Suíça, as meninas conheceram um coral de garotos, Amabile, do Canadá. Entre esses garotos estava Derek, rapaz bonito, simpático, dono de uma voz potente e que se encantou por Beth (e ela por ele), o que deixou Scott, amigo de infância e admirador de Beth, louco de ciúmes. Porém Derek escondia um segredo que poderia acabar com os sonhos românticos da menina.

Vamos aos prós e contras: o livro é de fácil leitura, a história é contada em primeira pessoa pela própria Beth (adoro livros em primeira pessoa). Derek é uma personagem apaixonante, mais um para a lista da Piriguetagem literária, aliás essa lista só está crescendo! O livro todo tem muitos diálogos e, graças a Nossa Senhora da Gramática, os erros de revisão não são tão assustadores assim (mas eles estão lá, pode ter certeza). Durante toda a narrativa acompanhamos o processo de transformação de Beth, suas angústias, dúvidas e inseguranças; é interessante acompanhar toda essa jornada e seria ainda mais gratificante se a personagem Beth não fosse tão chata! Gente, que menina irritante, não sei como Derek conseguiu aguentar…

Em todos os capítulos temos canções, uma vez que se trata de uma história que gira em torno de grupos de corais. Se fosse um filme com certeza teria uma trilha sonora maravilhosa. O coral dos garotos do Canadá, Amabile, existe de verdade, eles até tem um site (procure aí no google). A canção presente no último capítulo,  “Canção da Beth”, foi gravada pelo coral – e até que ficou bonitinha.

Porém, eu saquei o que ia acontecer na história bem antes do meio do livro – e olhar as imagens nas últimas páginas só confirmou minha suspeita. Dica: não bisbilhotem as últimas folhas! Não que eu seja muito esperta, mas o enredo é meio previsível…

Por fim, o projeto gráfico está bem bonito (embora tenha gente que ache que essa capa lembra capa de livro espírita). Eu, particularmente, só me incomodo com essa mão com quatro dedos… Nem preciso dizer que adorei o título! Sou daquele tipo de pessoa que escolhe o livro pelo título. Embora seja um livro juvenil, ele tem 351 páginas – no meu tempo os livros juvenis não tinham quase 400 página e, com certeza, as personagens eram bem menos safadeeenhas rsrsrs.

Vou deixar aqui a música que encerra o livro. Recomendo que ouçam a música enquanto lêem o último capítulo, para chorarem litros e litros… 

MORRISON, Angela. Cante para eu dormir. Carapicuiba: Pandorga, 2011.

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A desconstrução de Mara Dyer – Michelle Hodkin

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Olá minha gente! Pra vocês que estavam passando uma temporada em Marte e estão por fora dos acontecimentos editoriais, trago hoje o livro que está causando o maior bafafá na esfera literária: A desconstrução de Mara Dyer, de Michelle Hodkin.

O livro conta a história de Mara, uma adolescente que acorda em uma cama de hospital sem se lembrar de nada. Lá ela descobre que foi achada em um antigo sanatório com suas amigas Rachel e Claire e seu namorado, Jude. Eles sofreram um grave acidente, todo o local desmoronou e somente ela sobreviveu. Atormentada com esse episódio, ela e sua família mudam de cidade para tentar recomeçar, porém Mara começa a ser atormentada por alucinações e fatos estranhos começam a acontecer… Mara estaria louca ou realmente algo estranho estava acontecendo?

Durante a história acompanhamos o processo que a personagem tem de enfrentar para conseguir se lembrar do que aconteceu naquele dia no sanatório e o porquê de tantos pensamentos e sensações estranhas estarem se passando com ela. Na nova escola Mara faz um amigo, Jamie, um ponto de apoio e de realidade na vida da menina. Também nos é apresentado Noah, garoto popular que também esconde um grande segredo….

Ah…. Noah… aquele garoto que possui todas aquelas características que atiçam a nossa piriguetagem literária: bad boy/sedutor/inteligente/desleichado… o combo perfeito para a paixonite instantânea por personagens de livros!

Bom, voltemos as vacas magras: o livro é narrado em primeira pessoa pela própria Mara. Todos os eventos são descritos sob o ponto de vista dela. Toda a história é envolvente e em ritmo acelerado; há muitas falas diretas (quase toda a história é contada em formato de diálogos), o que torna a leitura rápida e bem envolvente. A linguagem é bem coloquial, sem frescuras nem enrolação. Os capítulos são curtos, o que agiliza a leitura. O romance existente não é enfadonho, ele chega a ser ácido e bem humorado, nada entediante nem clichê. A continuação, A evolução de Mara Dyer, será lançada pela editora no mês de junho – quero pra ontem! A terceira e última ainda está sem previsão de lançamento no Brasil. Apesar de ter todos os elementos que eu não gosto (capa com foto de pessoas e título com o nome da personagem),  o projeto gráfico está muito bom!

Porém…. como o mundo não é feito de algodão-doce, tenho que fazer uma crítica: por que cargas d’água há tantos erros de revisão em livros, principalmente nos voltados para o público juvenil? Já comentei que não me incomodo muito com alguns erros, mas já está passando dos limites! Erros de concordância, palavras faltando, frases estranhas, plural somente em metade da frase e no resto nada! Assim fica difícil ser condescendente… as editoras têm que se atentar mais… me contratem que resolvo isso rapidinho!

Bom, feito meu desabafo, vou concluir dizendo que, apesar de tudo, o livro é bem legal! A narrativa te prende do começo ao fim, você sempre quer saber mais e mais. São 372 páginas de suspense, romance, intrigas e todos os elementos que fazem dessa história o Boom do momento! Recomendo a leitura para todos que estão em busca de uma literatura pipoca (aquela que não tem nutrientes, não te acrescenta em nada, mas enche a barriga e te deixa feliz), façam vista grossa para os erros e aproveitem a história envolvente e divertida da nossa amiga Mara! 

HODKIN, Michelle. A desconstrução de Mara Dyer. Rio de Janeiro: Galera Record, 2013.

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