Androides sonham com ovelhas elétricas? – Philip K. Dick

Aleluia! Aleluia! Aleluia! Aleluia! Aleluia! Olhem só quem regressou do limbo e está de volta a essa pequena terra chamada blog!!! Quanta coisa aconteceu minha gente! Que mundão doido! Olha, espero que este ano de 2017 seja muito bom porque o-ano-que-não-vamos-nomear foi uma sandice só!

E eu volto aqui com a minha linda cara de pau como se nada tivesse acontecido, para trazer o primeiro livro do ano!!! (aplausos)  E nada melhor que uma bela ficção científica para termos a esperança de um futuro melhor (ou não).

1-edic%cc%a7a%cc%83o-mais-recente-publicada-pela-editora-aleph1Para hoje temos Androides sonham com ovelhas elétricas? do nosso amiguxo Philip K. Dick. Para quem não sabe, este foi o livro que inspirou o filme Blade Runner, de 1982, e que, logo menos, voltará as telonas do cinema. Bom, o que eu achei sobre o livro… 

Então, para começar, a história acompanha a trajetória de Rick Deckard, um caçador de recompensas que ganha a vida caçando e aposentando androides.  Neste contexto, temos a Terra praticamente destruída depois de uma guerra atômica, no qual a maioria da população migrou para colônias fora do planeta. Os que ficaram convivem com a poeira radioativa e, muitas vezes, com a falta de esperança, buscando a todo custo uma vida melhor.

Androides… é um livro muito bom para quem gosta do gênero. Além de abordar um futuro distópico, o autor também propõe questões filosóficas profundas sobre a natureza da vida, da religião, da tecnologia e da própria condição humana. Porém… olha vou ser sincera: não sei se já contei, mas gêneros como fantasia e ficção não conseguem me pegar. Para o leitor se aprofundar nas histórias é preciso de algo chamado “suspensão de descrença” que eu, definitivamente, não tenho.

Vocês vão ter que me perdoar, sei que o livro é um clássico e tal, mas eu achei bem chato. Tive a sensação de que a história saiu do nada e foi pra lugar nenhum… posso ter perdido uma parte importante, mas não entendi qual o problema dos humanos com os androides e o porquê de ‘aposentar’ os coitados… também não consegui me apegar as personagens, o único que me fez sentir algo foi o ‘cabeça de galinha’ John Isidore. 

Bom, não vou me estender mais… acho que me decepcionei um pouco, talvez eu esperasse algo grandioso, mas achei meio nhé (ou eu mesma que não entendi nada, o que é uma possibilidade bem alta). No mais, pra quem é fã do gênero: se joga!

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DICK, Philip K. Androides sonham com ovelhas elétricas? São Paulo: Aleph, 2014.

A cor que caiu do céu – H. P. Lovecraft

Não era fruto do mundo dos sóis e dos sóis que fulguram nos telescópios e nas chapas fotográficas dos nossos observatórios. Não era um sopro dos céus cujos movimentos e dimensões os nossos astrônomos medem ou julgam demasiado vastos para medir. Era apenas uma cor que caiu do espaço – o pavoroso mensageiro de reinos informes que transcendem a Natureza tal como a conhecemos…  (p. 63-64)

HPLOVECRAFTÉ isso aí… dessa vez consegui ser um tiquinho mais ágil, e hoje trago um clássico da Literatura de Horror: A cor que caiu do céu é um texto de 1927 do americano Howard Phillips Lovecraft, ou apenas H. P. Lovecraft.

O texto acompanha o narrador (sem nome), funcionário que é enviado à cidade de Arkham com o objetivo de estudar o local mais propício para a construção de uma represa. Em meio a este estudo, ele descobre o “descampado maldito”, local de enorme mistério e cheio de histórias. O lugar era formado por acres de desolação cinzenta, parecendo uma grande queimada ou uma mancha feita por ácido. Cheio de curiosidade, o narrador começa a investigar e acaba chegando até Ammi Pierce, ancião que vivia na região antes da maldição se abater sobre o local. Ammi conta que, em meados de 1880, o local era uma fazenda produtiva, habitada e cheia de vida, até que um dia um meteorito caiu no local, ao lado de um poço. Algumas pessoas foram examiná-lo, mas o que acharam foi apenas uma rocha com núcleo de uma cor estranha… A partir de então o horror se espalhou pela propriedade: tudo começou a apresentar uma cor cinzenta, plantas cresceram de forma desordenada, animais apresentavam comportamentos estranho e as pessoas enlouqueciam – e acabavam morrendo ou sumindo de forma misteriosa.

Nesse conto temos o mistério em todos os pontos: o que será isso que veio do espaço? O que acontece com as pessoas e animais? Há uma explicação lógica para tudo? Lovecraft não economiza em detalhes para tentar definir o que seria essa “cor” vinda de outro mundo, aliás, desde o começo ele deixa claro que sim, é algo de outro mundo, mas mostra que o “extraterrestre” não são, necessariamente, homenzinhos verdes, mas pode se manifestar de várias formas, inclusive de cores e texturas não definidas no nosso mundo.

A narrativa é envolvente, a forma como é mostrada a morte de animais e pessoas não deve nada aos filmes de Hollywood. O horror não é explícito, mas está nas entrelinhas e em cada palavra que ele utiliza para contar esse estranho fenômeno que atingiu a fazenda e a forma como seus moradores ignoraram todas as evidências e permaneceram no local.

H. P. Lovecraft é um mestre do conto de horror e ficção científica. Em vida, seus escritos foram publicados somente em revistas e apenas após sua morte, ocasionada por um câncer em 1937, que seus textos viraram livros. A edição que possuo é a editora Hedra, no caso o título foi traduzido como A cor que caiu do espaço, mas tanto a versão …caiu do céu quanto …caiu do espaço são aceitas (embora eu prefira a primeira opção). O exemplar da Hedra é em formato pocket, folhas brancas e diagramação simples. Na edição, além do conto, há uma introdução e um apêndice que consta três textos do Lovecraft: Notas sobre uma não entidade (adoro esse título), de 1933, um relato autobiográfico do autor; A confissão de um cético, de 1922, breve ensaio do autor sobre os próprios interesses religiosos, científicos e filosóficos e Notas sobre ficção interplanetária, de 1934, artigo que defende as possibilidades artísticas da ficção científica. 

Tudo isso em 96 páginas!

No mais, o conto é bem interessante e merece ser relido – para pegar aqueles detalhes que passaram  despercebidos. Recomendado para todos que apreciam histórias de horror e ficção científica que fogem dos clichês!

LOVECRAFT, H.P. A cor que caiu do espaço. São Paulo: Hedra, 2011.

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